terça-feira, 4 de agosto de 2020

Darling Rose Gold - Stephanie Wrobel

Título: Darling Rose Gold | A Minha Querida Rose Gold
Autor: Stephanie Wrobel
Edição Portuguesa: Editorial Planeta
Adquirir: Bertrand Livreiros | Wook  (links afiliados)
 
 
 
Sinopse:
 
Durante os primeiros dezoito anos da sua vida, Rose Gold acreditou que estava muito doente. Era alérgica a tudo, usava uma cadeira de rodas e vivia praticamente no hospital. Os vizinhos faziam o que pod
iam para ajudar. Organizavam angariações de fundos, ofereciam consolo, mas, por mais médicos que consultasse, exames e cirurgias que fizesse, ninguém conseguia perceber o que se passava com ela.
 
Acontece que afinal Patty, a mãe de Rose, é uma exímia mentirosa.
 
Depois de cumprir cinco anos de prisão, Patty não tem para onde ir e pede à filha que a receba em sua casa. A comunidade fica chocada quando Rose Gold aceita. Patty insiste que a única coisa que quer é a reconciliação. Garante que perdoou Rose por a ter denunciado e testemunhado contra ela em tribunal. Mas Rose Gold conhece a mãe, Patty Watts acerta sempre as suas contas. Infelizmente para Patty, Rose Gold já não é a sua débil e querida menina... E esperou muito tempo pelo regresso da mãe a casa.

Uma fascinante história de obsessão, reconciliação e vingança de um incrível novo talento literário.
 
 
Opinião: 

Tinha algumas dúvidas em relação a este livro. Ganhou alguma fama no Instagram ao mesmo tempo que o My Dark Vanessa e na altura, apesar de ambas as capas partilharem de borboletas, uma era bastante obscura e a outra cor-de-rosa. Eles bem dizem que não se deve julgar um livro pela capa, e Darling Rose Gold é um bom exemplo. 
 
The bond between a mother and daughter is sacred. You know better than anyone that no matter how awful they are, we still find it in our hearts to love them.
 
Para quem não sabe, a autora Stephanie Wrobel inspirou-se no caso de "Dee Dee" Blanchard e Gypsy Rose Blanchard. O caso foi muito polémico nos EUA. Dee Dee era a mãe de Gypsy Rose, uma menina bastante doente desde os quatro anos: atrofia muscular, dificuldades auditivas e visuais, graves problemas de estômago e intestinos, entre outros. Dee Dee foi retratada como uma mãe cuidadosa que se manteve ao lado da filha para cuidar dela 24 horas por dia e ambas receberam vários apoios de instituições para melhorar a qualidade de vida de Gypsy. 
 
It was easier to manipulate someone if they didn’t perceive you as a threat.
 
Até ao dia em que o corpo de Dee Dee Blanchard ser encontrado sem vida na casa onde ambas viviam, esfaqueada. Gypsy Rose Blanchard não foi encontrada e todos os vizinhos e amigos acreditaram que se tratava de uma questão de tempo até encontrarem o corpo de Gypsy Rose. Para choque destes e do resto do mundo, Gypsy Rose estava viva e bem de saúde. Não só não sofria de todas as doenças que a mãe garantia que sofria, mas não havia sido magoada por ninguém. Gypsy Rose fugiu de casa com o namorado Nick, que apunhalou Dee Dee nessa noite.
 
The miracle of life is a lot less interesting when it’s someone else’s miracle.

Esta trágica história tem influenciado muitos escritores e realizadores. A série The Act da Hulu, que passa na HBO, conta a história da família Blanchard. Ainda não assisti, mas já está na minha lista de séries a ver.

We all make mistakes. You can always start fresh.

Adquiri o audiobook ainda não tinha saído a edição da Editorial Planeta, mas demorei a chegar a esta leitura. Não demorei a concluí-la, contudo. É uma leitura fácil, apesar do tema. Apesar de inspirada na história de Gypsy e Dee Dee, o enredo é diferente dos factos acima relatados e como explicado na Sinopse do livro.
 
 Denial is as good a strategy as any. The word suggests obliviousness, a refusal to see the truth. But there’s a mighty big difference between someone who won’t see the truth and someone who won’t tell it. People are much more inclined to forgive you if you act like you didn’t know any better.
 
A Minha Querida Rose Gold é um thriller de linguagem simples, mas cuidada e que envolve o leitor desde o primeiro parágrafo até ao final. Capítulo sim, na voz de Patty Watts no presente, capítulo não na voz de Rose Gold no passado, após a mãe ser presa. Achei esta abordagem interessante. Várias vezes durante a leitura somos confrontados com atitudes de ambas as personagens que consideramos serem pistas para problemas mentais. Vou ser sincera, não consegui encontrar nenhuma personagem de quem gostasse a cem por cento e nunca senti que em algum momento estivesse a torcer para que as coisas corressem bem. É um daqueles livros de leitura fácil em que nos mantemos atentos porque já sabemos que algo vai correr mal, só não temos a certeza do quê.
 
Patty deixa a prisão após cumprir pena pelos abusos que levaram a que Rose Gold fosse hospitalizada constantemente e vai viver com a filha. Acontece que Rose Gold, agora também ela mãe, tem a sua própria agenda para se vingar de Patty. 
 
It’s been almost twenty-five years since my last baby. In seconds his tiny fingers will be wrapped around mine.
 
Dei quatro estrelas a Darling Gold Rose e aconselho.
Já leram ou conheciam a história? 

Boas leituras!


sábado, 1 de agosto de 2020

Born a Crime - Trevor Noah

Título: Born a Crime | Sou um Crime
Autor: Trevor Noah
Edição Portuguesa: Tinta da China
Adquirir: Bertrand Livreiros | Wook  (links afiliados)


Sinopse:

Actualmente, Trevor Noah é o apresentador do The Daily Show, um dos rostos mais famosos da televisão americana e um humorista reconhecido em todo o mundo. Mas no dia em que nasceu era um crime - ou seja, era filho de mãe negra e pai branco. Para manterem uma relação inter-racial e para criarem este filho, os pais de Noah desafiaram as leis do Apartheid na África do Sul.  

Opinião:

Sou fã do Daily Show ainda era apresentado pelo Jon Stewart e o Stephen Colbert ainda era correspondente do mesmo. Quando o Trevor Noah foi anunciado como o novo apresentador e produtor executivo, eu fiquei muito triste pelo simples facto de que o Jon Stewart era o meu comediante favorito. Eu adorava as expressões dele, a forma como abordava os assuntos sérios e como me fazia compreender as notícias norte-americanas sem que parecesse uma seca. Pensei "nunca mais vai ser o mesmo programa". E estava certa, mas não da forma que pensava. Não contava era gostar tanto do Trevor Noah. Não gosto mais nem menos do que do Jon Stewart. São diferentes, mas ambos me arrancam gargalhadas, e é esse o factor que para mim diferencia o Daily Show de outros programas. Para mim, nem o Late Show do Colbert é tão bom!

Com a pandemia e consequentemente com a minha doença, ficar em casa tem-me feito estar mais atenta ao que se passa em Portugal e no resto do mundo. Para além disso, já não passo semanas sem ver o Daily Show. Antes não havia tempo.

Após um dos episódios, o YouTube sugeriu-me um video de stand-up do Noah Trevor e ri tanto, que vi mais e mais. Até que decidi, que estava na altura de ler o livro. Ao ver que o audiobook em inglês é narrado pelo próprio, nem pensei duas vezes em adquirir. O narrador é sempre um factor importante num audiobook. Eu tive uma óptima experiência ao ouvir o Heartburn, narrado pela Meryl Streep - a história não me fascinou, mas a narração é sensacional; e desisti de ouvir o To The Lighthouse narrado pela Nicole Kidman porque a entoação me dava sono - não passei dos primeiros quinze minutos.

We tell people to follow their dreams, but you can only dream of what you can imagine, and, depending on where you come from, your imagination can be quite limited.

Com muita animação, Trevor Noah explica como nasceu da união entre uma mulher negra e um homem branco durante o Apartheid, como cresceu sem ser branco ou negro, mas de cor, "colored", na África do Sul.

Language, even more than color, defines who you are to people.

Uma das coisas que mais me tocou, foi a dedicação da mãe a Trevor e do prórpio à mãe. Sempre às turras, mas com os corações cheios de amor e carinho um pelo o outro. Filho de Patricia, aos domingos era obrigado a ir a três igrejas diferentes e tentava sempre contornar a crença da mãe com explicações mais plausíveis que a mesma não aceitava. Cresceu a ver os abusos do padrasto à mãe num país em que a violência doméstica era vista como uma questão familiar e não criminal e ainda assim aceitando as decisões que a mesma tomou depois da primeira vez que Abel a maltratou. E quando não conseguiu conviver com esta questão, Trevor saiu de casa com a benção de Patricia que sempre acreditou que o filho ia quebrar o ciclo de pobreza a que as famílias Sul Africanas se resignam. Teve fé nele como ninguém.

I don’t regret anything I’ve ever done in life, any choice that I’ve made. But I’m consumed with regret for the things I didn’t do, the choices I didn’t make, the things I didn’t say. We spend so much time being afraid of failure, afraid of rejection. But regret is the thing we should fear most. Failure is an answer. Rejection is an answer. Regret is an eternal question you will never have the answer to. “What if…” “If only…” “I wonder what would have…” You will never, never know, and it will haunt you for the rest of your days.

Em 2020 foram poucos os livros a que dei cinco estrelas e Born a Crime é sem dúvida uma leitura obrigatória não só pelas questões raciais que aborda, mas pelo exemplo de vida tanto de Noah como da mãe.

I was blessed with another trait I inherited from my mother, her ability to forget the pain in life. I remember the thing that caused the trauma, but I don't hold onto the trauma. I never let the memory of something painful prevent me from trying something new. If you think too much about the ass kicking your mom gave you or the ass kicking that life gave you, you’ll stop pushing the boundaries and breaking the rules. It’s better to take it, spend some time crying, then wake up the next day and move on. You’ll have a few bruises and they’ll remind you of what happened and that’s ok. But after a while, the bruises fade and they fade for a reason. Because now, it’s time to get up to some shit again.
 
Já agora, um pequeno aparte, para quem não conhece mas gosta de stand-up, estou grata ao Trevor Noah por me ter dado a conhecer a Dulcé Sloan. Se tiverem curiosidade, vejam este vídeo dela no YouTube, não se vão arrepender.



Boas leituras!


quinta-feira, 30 de julho de 2020

Para Cá da Crónica - João Resende

Título: Para Cá da Crónica
Autor: João Resende
Editora: Coisas de Ler
Adquirir: Bertrand Livreiros | Wook  (links afiliados)

Sinopse: 

Concebido numa linguagem muito particular, e explorando universos muito próprios, «Para Cá da Crónica» consubstancia-se por ser um rol de crónicas, contos, ou contos-crónicas, escritos pelo autor em épocas distintas, daí alguma imprecisão temporal de alguns escritos. O leitor terá acesso a crónicas já publicadas em alguns órgãos de comunicação social e também a outros textos inéditos e/ou revisitados pelo autor.

Seguindo um pouco pelo que foi o seu primeiro livro, «Manuskritica nº 243», João Resende caminha na direção da construção definitiva da sua própria linguagem, onde algumas reminiscências pessoais coabitam com a realidade circundante e com a sátira, conduzindo quem o lê a cosmos improváveis, ainda que não distantes da nossa própria existência, seja através desses famigerados contos-crónicas ou de pequenos "teatrinhos" sobre o quotidiano.

Opinião:

Como a própria sinopse indica, este é um livro onde encontramos variados textos escritos em anos diferentes. Entre crónicas e contos, João Resende partilha com o leitor a sua opinião sobre a sociedade - a que ele viveu em novo e a que os mais jovens habitam agora. 

Esta moderna e maldita mania das crises financeiras e sociais conduz-nos a todos, ou quase todos, onde, infelizmente, me incluo, a estados de fúria e revolta a tal ponto de olharmos o mundo com um pranto de mágoas a deturpar-nos a realidade e uma sensação de impotência que nos transporta o corpo para necessidades básicas como a enunciada gula.

Para Cá da Crónica não foi uma leitura fácil e rápida. Nem sempre gostei dos textos apresentados, mas houve outros que mexeram comigo ou que me divertiram. 

A atmosfera adquire qualidades autenticamente urbano-depressivas, os pesados semblantes dos rostos e os olhares inexpressivos e, contudo, desconfiados demonstram, também, a faceta citadina de quem quer rapidamente chegar a casa ou a algum destino sendo certo que o primordial objectivo é deslocar-se o mais depressa possível e se a viagem for a última do dia tanto melhor.

Editado em 2016, foi com algum espanto que não encontrei o livro listado no site do Goodreads, o que nos leva de volta à conversa de que não lemos livros de autores portugueses com a frequência que devíamos. E eu, uma vez mais, assumo a minha culpa. Sou fã de Literatura Norte-Americana, mas estou a tentar encontrar novos nomes da Literatura Portuguesa, não quero basear as minhas leituras só nos nomes super conhecidos e que todos conhecemos. Acredito que há muito talento no nosso território a quem não lhe é dado o devido crédito ou valor, porque no final do dia, e também compreendo isso, a Literatura é um negócio.

O Pessoa não é o outro, mas sim todos nós. Ele escreveu, viveu e sofreu por todos nós. Ou não sabes isso?

Continuando, são 34 textos ao longo de 185 páginas e eu aconselho a uma leitura pausada entre os mesmos. Um por dia, como se fosse uma pérola de sabedoria. Acredito que como eu, gostem de alguns textos e não apreciem tanto outros. No meu caso, ficaram como favoritos O Jogo das Classes, Belchior - Um Cidadão Descontente e Entrevista - Stander Van Guelras. Este último, uma crónica escrita em jeito de sátira foi sem dúvida o meu favorito, porque fala do turismo no Algarve e eu, como Alentejana que trabalha no Algarve há quatro anos, senti muita afinidade com o que foi dito. 

Não estou a fugir. Vou preparar melhor o meu regresso. É muito diferente.

Se conseguisse, no Goodreads atribuía-lhe um 3,5, mas não sendo possível fiquei-me pelas 3 estrelas. Tal como explicado, enquanto houve textos em que me senti envolvida, também houve aqueles com os quais não concordei com a opinião do autor ou cuja história não me envolveu. 

O livro está à venda por 3€, tanto na Bertrand como na Wook.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Alias Grace - Margaret Atwood

Acreditem ou não, ainda não li The Handmaid's Tale da Margaret Atwood e consegui manter-me afastada de spoilers.  O ano passado li Penelopiāde, a história de Penélope, a mulher de Ulisses, que durante a Odisseia luta para manter o reino de Ítaca ao mesmo tempo que enfrenta os rumores das infidelidades do marido e os pretendentes que lhe chegam à porta. Na altura, dei três estrelas ao livro porque não me fascinou, mas reconheço a escrita de Atwood como brilhante. 

Entretanto, este ano agarrei no Alias Grace por ser inspirado numa história verídica.  Em 1843, Grace Marks foi acusada de assassinar o patrão, Thomas Kinnear e a governanta Nancy Montgomory. Na narrativa de Atwood, Grace não se recorda de nada do que aconteceu no dia da morte de Kinnear e Montgomory. Após o julgamento em conjunto com James McDermott, outro empregado de Kinnear, Grace é julgada. Enquanto McDermott é condenado e enforcado, Grace é condenada à prisão perpétua. 

If we were all on trial for our thoughts, we would all be hanged.

Liderados pelo padre da Igreja Metodista, um grupo que acredita na inocência de Grace contrata o Dr. Simon Jordan, um psiquiatra para ajudar Grace a recordar-se dos eventos que conduziram à sua prisão. 

Murderess is a strong word to have attached to you. It has a smell to it, that word - musky and oppressive, like dead flowers in a vase. Sometimes at night I whisper it over to myself: Murderess, Murderess. It rustles, like a taffeta skirt across the floor.

Durante estas consultas, Grace começa por contar a história da sua vida, desde criança. Filha mais velha numa família em que o pai está sempre bêbedo e a mãe sempre grávida, Grace acaba por criar os irmãos quando a mãe morre num navio em que a família viaja da Irlanda para o Canadá. 

He doesn't understand yet that guilt comes to you not from the things you've done, but from the things that others have done to you.

Grace acaba por deixar a família e começar a trabalhar com empregada doméstica quando conhece Mary Whitney de quem se torna amiga. Mary ensina Grace a arte de servir e aconselha-a para que se mantenha longe de problemas. Mary acaba por morrer no quarto que partilham depois de fazer um aborto, após engravidar do filho dos donos da casa onde ambas trabalham. Grace culpa-se por não manter a janela aberta para que o espírito de Mary deixe a casa.

Because you may think a bed is a peaceful thing, Sir, and to you it may mean rest and comfort and a good night's sleep. But it isn't so for everyone; and there are many dangerous things that may take place in a bed. 

As histórias continuam a ser contadas umas atrás das outras, em grande detalhe de forma a manter o Dr. Jordan interessado em estudá-la e descobrir uma ligação estranha entre Grace e a defunta Mary.

Those who have been in trouble themselves are alert to it in others.

Uma vez mais, não consigo deixar de aplaudir a escrita de Margaret Atwood. É deliciosa! No entanto, não consegui ligar-me a nenhuma das personagens. Sabem quando querem muito gostar de um livro, mas não são capazes de explicar o porquê de não vos ser possível encontrar um elo de ligação? Foi o que me aconteceu com Alias Grace. Daí que ainda não esteja pronta para ler The Handmaid's Tale, porque não quero desiludir-me uma vez mais com uma história que contava adorar e gostar apenas. 

Assim, Alias Grace recebeu três estrelas, porque apesar da história não me cativas, a autora tem uma escrita bonita, fluída e certeira com muitas citações que nos ficam no coração.

Já leram Alias Grace ou qualquer outro livro de Margaret Atwood?

Se adquirirem através do link Bertand Livreiros ou através do link Wook, estão a apoiar o blog. 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Frankenstein - Mary Shelley

Nothing is so painful to the human mind as a great and sudden change.

Não sou uma leitora frequente de clássicos, mas já li bastantes que guardo no coração. Há muito tempo que tinha o Frankenstein na minha lista e este ano ofereceram-me o livro no meu aniversário. Na Grécia (numa Era Pré-Covid, parece que já lá vão dez anos).

 There is something at work in my soul, which I do not understand.

Para quem não sabe, tal como eu não sabia até ler o livro, em 1815 o Monte Tambora na Indonésia entrou em erupção e o fenómeno foi de tal forma violento que o hemisfério norte em 1816  não teve um verão normal. As poeiras lançadas para a atmosfera, bloquearam a luz do sol. Impressionante, não? Mary Shelley, na altura Mary Godwin, passava férias no Lago Léman com Percy Shelley (o seu futuro marido), Lord Byron e John Polidori. Obrigados a ficarem trancados em casa durante alguns dias devido ao ambiente que se vivia com as poeiras no ar. Uma espécie de confinamento como o que vivemos em 2020. Foi então que os amigos decidiram ver quem escrevia a história de terror mais assustadora e daí nasceu Frankenstein. Fun Fact: inspirado em O Fragmento de Byron, alguns anos depois Polidori viria a escrever O Vampiro (The Vampyre).

The companions of our childhood always possess a certain power over our minds which hardly any later friend can obtain.

Demorei mais do que o previsto a ler um livro com duzentas e poucas páginas (mas com letras pequeninas, ok?). Escrito numa estrutura de Boneca Russa, o livro começa com as cartas de Robert Walton para a irmã enquanto está ao comando de um navio que busca uma passagem para o Pólo Norte, fica preso no mar congelado e avista ao longe a "criatura" que viaja num trenó. Quando o mar se agita, o navio prossegue viajem e pouco depois encontram Victor Frankenstein quase morto. Ao cuidado de Walton, Frankenstein recupera e conta a história dele e do "monstro" que criou. É um início lento e até um pouco aborrecido, sou-vos sincera. Shelley tem uma escrita poética e as descrições são maravilhosas, o que contrasta com a história grotesca que nos aguarda quando a leitura ganha movimento.

Beware; for I am fearless, and therefore powerful.

Tinha as expectativas muito altas para Frankenstein e lamento dizer que me desiludiu. A história e a sua mensagem são muito interessantes. Acho que quem lê não consegue ficar indiferente à injustiça em que o "Monstro" vive - apesar da sua bondade, é julgado pela aparência o que o revolta e o torna num verdadeiro monstro. É interessante analisar do ponto de vista em que a sociedade corrompe e é isso que lhe acontece - ao tentar integrar-se no mundo dos homens é de imediato julgado por ser diferente e torna-se um pária.

I do know that for the sympathy of one living being, I would make peace with all. I have love in me the likes of which you can scarcely imagine and rage the likes of which you would not believe. If I cannot satisfy the one, I will indulge the other. 

A escrita é muito elegante e enchi o livro de post-its (eu não escrevo nem sublinho livros, colo post-its para marcar as minhas passagens favoritas). Há frases muito bonitas e isso foi um ponto a favor. O facto de ser um livro quase tão lírico como um poema.

Life, although it may only be an accumulation of anguish, is dear to me, and I will defend it.

Se conseguisse, no Goodreads daria uma pontuação de 3.5, mas não sendo possível pontuei com 3 estrelas. Ainda assim, criei uma banda sonora no Spotify e à qual podem aceder aqui.

"Man," I cried, "how ignorant art thou in thy pride of wisdom!"

Se ainda não têm o livro, podem adquiri-lo na Bertrand Livreiros e se usarem o meu link estão a apoiar o blog, pelo que fico muito grata!
 
Já leram o livro? Partilhem comigo a vossa opinião!

Boas leituras!